O gorila e os leões

Foram dois casos em menos de uma semana. 

No zoológico de Santiago (Chile), um jovem de 20 anos entrou nu na jaula dos leões em uma aparente tentativa de suicídio. Após investir contra os animais, foi atacado, e a administração decidiu abater dois dos felinos. Um tinha nascido no próprio zoo. O outro havia sido resgatado de um circo itinerante. 

A diretora defendeu a ação. “Infelizmente, perdemos dois membros de nossa família. Mas salvamos a vida dessa pessoa.”

Isso foi em 22 de maio, um domingo.

No dia 28 de maio, sábado, um novo caso. 

Um menino de quatro anos caiu no recinto dos gorilas do zoológico de Cincinnati (EUA), por onde ficou por dez minutos antes de um macho ser abatido. Não está claro se o comportamento do gorila indicava que ele estava protegendo a criança ou não. Se a princípio o animal parecia estar defendendo o menino, conforme aumentaram os gritos do público, o primata passou a demonstrar sinais de nervosismo

O diretor defendeu a decisão. “Foi uma decisão difícil, mas a correta, pois salvamos a vida do menino. Poderia ter sido muito pior.” Ele descartou as críticas de que a segurança do recinto precise ser melhorada. 

Casos como esse, embora trágicos, fazem com que emerjam e sejam relembradas outras violações que fortalecem o discurso pelo fechamento dos zoos.

No caso de Santiago, animais confinados em pequenas jaulas / roubos de espécimes durante a noite / o caso de um elefante que passou por inúmeras operações para remover sacos plásticos de seu estômago / fuga em ao menos três ocasiões de grandes felinos / um incêndio causado por um curto circuito que matou quatro girafas / etc. 

Em Cincinnati, em março deste ano, um urso polar escapou de seu recinto, ainda que em uma área a que os visitantes não tinham acesso. O zoológico, no entanto, não vem sendo apontado pelo público como o principal culpado pelo episódio, mas, sim, a mãe do menino, acusada de negligência. (Ela cuidava de três outras crianças no momento, inclusive uma de colo.)

De toda forma, os dois casos fragilizam a já não tão bem-vista imagem dos zoológicos, cada vez menos aptos a vender a ilusória ideia de serem um reduto de alegria, em que homens e animais vivem em harmonia. 

 

 

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