Olavo Bilac relata”zoolatria aguda” e passageira em torno dos animais do zoo do Rio de Janeiro

 

TÍTULO  Zoolatria Aguda
AUTOR  Olavo Bilac
DATA  6 de novembro de 1907
LOCAL  Rio de Janeiro
FONTE  Correio Paulistano
REPOSITÓRIO

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

DESCRIÇÃO

Olavo Bilac relata toda a atenção dada aos animais recém-chegados do zoológico do Rio de Janeiro (Vila Isabel), prevendo o desinteresse do público em poucos meses:

Em torno de cada gaiola, de cada jaula, de cada viveiro, de cada tanque, havia um grupo compacto de zoólatras, admirando os animaes. E eram enternecedoras as perguntas que os visitantes, com a voz trêmula de interesse e ternura, dirigiam aos guardas: Estavam todos os bichos vivos? Nenhum morrera? Continuavam a gozar de boa saúde? Comiam bem? Mostravam-se satisfeitos com a sua nova residência?…”O urso branco, principalmente, atraia a solicitude dos perguntares: “Não estranhara o calor? Suportará bem o banho? Não se deixava ganhar pela nostalgia assassina, moléstia de poetas e de damas sensíveis?…” E o urso branco, insensível aos cuidados que inspirava, melancholicamente se bambaleava sobre as curtas pernas traseiras, agarrando-se com as dianteitas ao tronco de uma goiabeira (…) Felizes bichos! Que os deuses misericordiosos lhes conservem a vida e a saúde no Jardim Zoológico, onde, daqui a pouco tempo, gozarão os indizíveis benefícios e as ineffáveis delícias da solidão, do silêncio e da paz!

Porque, daqui a algumas semanas, a nossa zoolatria terá desaparecido, como tantas outras latrias que já nos exaltaram  (…) quando algum jornal noticiar que algum dromedário morreu com saudade dos seus ares ou que o urso branco se está finando com a nostalgia dos seus campos de gelo, toda a gente perguntará: “Que dromedário?”! “Que urso branco?”! –e sem mais indagações continuará a pensar na laria de então, que ninguem pode prever qual será…

 

Colunista defende construção de zoo no Bosque da Saúde, em São Paulo

 

TÍTULO  Uma ideia aproveitável
AUTOR  L.C.
DATA  26 de outubro de 1907
LOCAL  Buenos Aires, Argentina
FONTE  Commercio de São Paulo
REPOSITÓRIO

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

DESCRIÇÃO

 A partir de carta de leitor que propunha a construção de um zoológico no Bosque da Saúde, aparentemente de propriedade da empresa Light, colunista L.C. defende zoo em São Paulo, tomando como exemplo parques  da América do Sul, principalmente o de Buenos Aires (Argentina). Há o entendimento de que o zoológico age como instrumento de instrução:  “Os soldados e os alumnos das escolas têm ingresso franco, pois os argentinos entendem que o Jardim Zoologico é uma escola instructiva que deve ter suas portas abertas aos que estudam” 

e que denotaria o desenvolvimento e cultivo urbano:

“Em toda a America do Sul não existe uma cidade de egual desenvolvimento a S.Paulo que não possua um estabelecimento dessa natureza, ponto obrigatorio de visitas dos excursionistas e forasteiros.(…) além de ser ella [a construção de um zoo em São Paulo] de grande utilidade, consulta o grau de prosperidade e cultivo desta capital”

 

http://3.bp.blogspot.com/-LFDh8gg8h0Y/U44lf9f8ZXI/AAAAAAAAEPk/gYiT6slv6Kg/s1600/26+de+outubro+1907.jpg

Prefeitura do Rio de Janeiro planeja compra de antigo zoo ou construção de novo parque nos moldes do de Nova York

 

TÍTULO  sem título [nota]
AUTOR  Desconhecido (relata matéria publicada no “Jornal”)
DATA  30 de janeiro de 1907
LOCAL  Rio de Janeiro
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO

Prefeitura do Rio de Janeiro, comandada pelo general Souza Aguiar, pretende adquirir o antigo Jardim Zoológico da cidade (provavelmente o de propriedade do Barão de Drumond) para reformá-lo ou adquirir terrenos na Quinta da Boa Vista (de propriedade da Santa Casa de Misericórdia) para fazer um novo e grande parque jardim zoológico “modelado pelo de Nova York”.

Caso necessário, o plantel de animais seria comprado em Hamburgo [provável referência ao comércio de animais de Carl Hagenbeck]. Além disso, a direção do zoo ficaria a cargo de um “hábil e competente” profissional do estrangeiro. Como em outros registros, vê-se a construção do zoo como forma de equiparação da cidade com outras congêneres estrangeiras:

 

A idéa do sr. prefeito é de um grande parque, com lagos, alamedas, praças arborisdas, rios e lagos artificiaes e, em meio disso tudo, jaulas para todas as especies de animaes, gaiolas para reptis, viveiros para aves e passarinhos.
Os animaes que o sr. prefeito não adquirir naquella capital serão por s. exa. encommendados na grande feira de Hamburgo ou trocados por alguns especimens da nossa fauna.
É pensamento do sr. general Souza Aguiar fazer com que o Rio de Janeiro tenha um jardim zoologico invejavel e que possa rivalisar com os melhores do mundo.

 

Museu Zoológico de São Paulo expõe “a onça e o caboclo”

 

TÍTULO  Grande Exposição do Museu Zoológico
AUTOR  Desconhecido (publicidade)
DATA  20 de janeiro de 1906
LOCAL  São Paulo
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO  Museu Zoológico da cidade de São Paulo monta exposição sobre “montanhas e lagos, com todos os seus habitantes”, incluindo “a onça e o caboclo”. O endereço do rua Florêncio de Abreu, 20-A. Trata-se do mesmo museu de propriedade de José Pilar & Sá.

 

Museu Zoológico com animais empalhados é inaugurado no centro de São Paulo

 

TÍTULO  Museu Zoologico
AUTOR  Desconhecido
DATA  24 de dezembro de 1905
LOCAL  São Paulo, São Paulo
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO
Museu Zoológico, de propriedade dos senhores José Pilar & Sá, é inaugurado na rua Florêncio de Abreu.
Segundo a nota, trata-se da exposição de bichos empalhados, que “conservam atitudes naturais, dando muitos deles a ilusão da vida”: é lugar “altamente interessante e curioso” que “merece ser visitado”.
 

 

Leopardo escapa do jardim da quinta das Laranjeiras, em Lisboa, e é morto por soldados

 

TÍTULO  Caça ao Leopardo
AUTOR  Desconhecido
DATA  6 de setembro de 1905
LOCAL  Lisboa, Portugal
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO

Jornal relata “caso sensacional” ocorrido em Lisboa (Portugal) de leopardo que, ao ser transferido para um novo parque e uma nova jaula, consegue escapar. São acionadas a polícia, a força de cavalaria e infantaria da guarda municipal para cercar o jardim, encontrando o leopardo “descansando tranquilamente” em um propriedade vizinha ao zoo da quinta das Laranjeiras. Ao ser atingido pela primeira vez pelas balas, o leopardo foge. Depois, ao ser novamente baleado, corre em direção à força militar e finalmente é morto.
Reportagem pode ser lida como um exemplo do tratamento dado aos animais que fugiam de zoos no início do século 20. Já de princípio considerado “feroz”, o único destino possível ao leopardo é a morte. 

Vale comparar a narrativa da reportagem do Estadão com a do Correio Paulistano (abaixo). 

 

 

TÍTULO  Carta de Lisboa (nota da coluna)
AUTOR  Desconhecido
DATA 8 de setembro de 1905
LOCAL  Lisboa, Portugal
FONTE Correio Paulistano
REPOSITÓRIO

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

DESCRIÇÃO

Reportagem do Correio Paulistano traz mais alguns detalhes da fuga de leopardo e de sua procedência (fora um presente ao rei do governador geral de Moçambique, Azevedo Coutinho). O animal teria fugido de uma jaula cuja construção ainda estava incompleta e, depois, ficara passeando “serena e elegante, gozando as delicias da liberdade” até ser alvejado por soldados.

Tanto no relato do Correio Paulistano quanto no Estadão, no entanto, é possível perceber como o leopardo mantém uma atitude “tranquila” (até ser atacado), enquanto os humanos estão extremamente nervosos, atrapalhados e despreparados frente à situação (até mesmo ferindo um soldado à bala). 

 

Suicídio de animais nunca chegou a ser solucionado pela ciência, diz jornal

 

TÍTULO  Animaes suicidas
AUTOR  Desconhecido
DATA  1904 janeiro (registro incompleto)
LOCAL  Não se aplica
FONTE  Correio Paulistano
REPOSITÓRIO

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

DESCRIÇÃO A partir de reportagem publicada pelo jornal inglês “Globe”, o Correio Paulistano debate brevemente a possibilidade de os animais (mesmo invertebrados, como borboletas) se suicidarem, apresentando exemplos.

O problema de verificar si os animaes podem ou não suicidar-se não é novo e nunca foi resolvido de maneira a satisfazer a sciencia. (…) É provável que tudo isso não passe de simples supposições; não há, porém, o direito de acreditar que os animaes não possam suicidar-se. O problema continua, pois, à espera de resolução.

 

 

Câmara Municipal de São Paulo discute requerimento para criação de um zoo na Avenida Paulista

 

TÍTULO  Camara Municipal (nota)
AUTOR  Desconhecido
DATA  6 de setembro de 1903
LOCAL  São Paulo, São Paulo
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO Segundo nota em coluna, foi indeferido (não aceito) “os requerimentos de d. Margarida Álvares de Lima [provavelmente a esposa de Joaquim Eugenio de Lima], propondo à Câmara [de Vereadores de São Paulo] a venda de um terreno de sua propriedade na Avenida Paulista para o estabelecimento de um jardim botânico e zoológico”.

 

Com “cruzamentos improváveis”, Carl Hagenbeck busca animais de trabalho mais resistentes

 

TÍTULO  Mercado de Feras
AUTOR  Desconhecido
DATA  2 de janeiro de 1903
LOCAL  Hamburgo, Alemanha
FONTE  O Estado de S.Paulo
REPOSITÓRIO

Acervo Estadão

DESCRIÇÃO Matéria apresenta o comércio de animais de Carl Hagenbeck na cidade portuária de Hamburgo (Alemanha), que abastece circos ambulantes e jardins zoológicos da Europa e da América. O empresário é descrito como alguém que fez “uma verdadeira escola de domagem e ensino”, e são apresentados os valores de cada animal, sendo o hipopótamo o mais caro (18 mil marcos).
Segundo a reportagem, Hagenbeck também fazia experiências com “cruzamentos improváveis”, como o de uma égua com uma zebra, buscando animais resistentes para trabalhos comumente feitos por outras espécies já domesticadas. O texto não menciona nenhum interesse científico em relação aos animais,
Também é informado que Hagenbeck fundou em Stelling, perto de Hamburgo, “um vasto parque onde mantem em meia liberdade um grande número de espécies exóticas” que “não parecem sentir a diferença do clima e dellas (?) ao poderia tirar partido para a alimentação, para a agricultura e mesmo para a raça (…) Em suma, o estabelecimento do sr. Hagenbeck apresenta um interesse que muito excede o de simples curiosidade”.

 

Circo Spinelli se apresenta no centro de São Paulo

 

TÍTULO  Circo Spinelli
AUTOR  Desconhecido
DATA  Abril de 1902 (data incompleta)
LOCAL  São Paulo, São Paulo
FONTE  Correio Paulistano
REPOSITÓRIO

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

DESCRIÇÃO Propaganda do Circo Spinelli, que se apresentaria na praça João Mendes, no Anhangabaú, em São Paulo. Não está claro se o circo é de propriedade de Affonso Spinelli (diretor do Grande Circo Zoológico Europeu em 1895). A coleção zoológica do circo (que se classifca como uma “grande companhia equestre”) ganha pouco destaque na nota.